quinta-feira, 3 de junho de 2010

Um Dezembro tão longo quanto qualquer outro.


Vem que eu te quero,
Vem que eu te espero.
Já que tua vinda não se evita
Já na insistência de tua presença,
Já minha vida,de idas e vindas,
Não é mais desejo
É o querer de sua mão fria
que calará essa catexia,
Que já não mais existia.
Exatamente no momento quente de minha vida,
Que já não és tão bem vinda.
Se não se morre em morte
o pior é morrer em vida.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Insônia


É noite que vira dia, que vira noite para o dia que virá. O tempo que passa na noite que é dia; dia não será, posto que noite venha durante o dia que anseia a noite para que seja noite e não mais dia na noite. Mas noite que não é noite, dia não será. Pois dessa oposição do dia com a noite que dia se faz noite e noite dia, todo dia. De ser cultural que conta as horas passa a animal sensitivo que necessita da noite como noite e não mais dia. Ser diurno que nem mesmo os milênios de culturalização modificam tal condição. Mas cria a angústia da noite que vira dia, que virá noite, que dia virá.

terça-feira, 1 de junho de 2010

"Faça como o velho marinheiro..."


É partindo de onde estou que vou navegar. Para onde não sei ainda. Ao desnudar minhas velas, recolher minhas âncoras, não serei eu a impor a firmeza ao leme. Opero o barco, ele me leva, o mar me carrega. Indiferente e forte. Não pretendo controlar essa força. Não me iludirei. Que o mar me iluda. Não vou me impor a ele, parte dele já sou. Preciso dos tempos que não conheci para entender essa parte do todo que sou. O sentido eu dou, a direção a vida me dá.

O que é mesmo?


Com o lugar cheio, os barulhos se confundem. Máquinas, pessoas, pressas, apitos, motores, vozes, gritos. Tudo na mais perfeita das normalidades, ou seja, tudo tão falso e experimentável quanto a perfeição e a normalidade. Nos meus pensamentos os problemas reais, Qual conta a pagar? Que horas é minha consulta? Sobre o que é o trabalho mesmo? Amanhã largo que horas? Essa fila não anda, vai dar tempo? Um menino desses que chamamos de moleque, desses neguinhos, marrom, pardo ou mulato, invisível por assim dizer, que pede por assim pedir. Quer um brilho? Então me dá uns trocados tio? O alto falante do carro do sindicato anuncia, Só com a democratização da comunicação podemos pensar num país mais justo e democrático. Saco minhas moedas e entrego sem olhar para poder não ver. A mesma frase mais uma vez ecoa, Só uma revolução para salvar essa galera! Que horas que eu marquei mesmo?


Te quero gostosa, amorosa, carinhosa, manhosa, beijar tua rosa mimosa, tua prosa por vezes até ardilosa, desejosa mesmo na fossa, mesmo quando posa de pomposa ou de idosa.

diálogo ou lei do terceiro excluído? Pensem nos quartos!


Pouco à vontade de tanta vontade,
De tanto desejar teu desejo me perco no que crio,
E de teu desejo pouco me animo,
No calendário da lua teus dias são todos, falta o dia em que és todo,
Nas noites cheias me envaideço,
Nos dias novos te busco para me encontrar.
Obvio? Mas, porque não seria obvio amar?
Critico-me para me sustentar. Não há mudanças.
Manterei assim até que a vida se aposse de mim ou se acabe em mim
Não há grandes diferenças entre viver ou morrer, se não fosse a oposição.
Vivo muito, aos poucos morro no desejo de ti,
Desejo, que de tão meu, não quero mais desejar
No desejo há vida, se ele se realiza deixa de existir, morre.
Por isso não quero mais te desejar, para não te ter e parar de desejar você.
E se no desejo de outrem me faço, no teu me calo
Não te importas meu desejo, ele é meu.
E o teu se é por mim guarda para ti
As leis do pensamento parecem só permitir desejar o que não se tem.
Por isso desejas meu desejo?
Ou não há desejo no que já tens?
O que já tenho não é desejo é realização.
Mas não quero me realizar, desejo que ainda não consegui conquistar.
Mas também, há muito de mentira nisso ou de contraditório.
Amo me realizar, só não sei se amor é desejo ou um lugar gostoso de estar.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Lua adversa

Minha Lua Adversa,
não importa as fases em que és minha ou de ir pra rua,de ser só ou alguém ser teu; teu lado oculto quisestes mostrar a mim e foi a mim quem deixou se refletir nele. Em teu lado escuro me refleti e iluminei, me achei e me perdi, te encontrei e te mostrei. Se teu calendário secreto é perdição de tua vida, teu lado obscuro é onde serei teu equinócio.
Uma velha amiga nossa, Clarice Lispector, disse uma vez que deveríamos ser mais fortes que nós mesmos. A tal frase, de tamanha simplicidade, me tomou como um Norte a ser seguido. Ás vezes perco o rumo, mas logo o retomo na certeza da única obrigação que de fato tenho com a Vida:vivê-la.
Para sua dor , de fato, não haverá palavras ou remédio suficientemente confortantes. Mas para sua vida, morada dessa dor, há o meu Amor. E, se coloco essa palavra em inicial maiúscula, é pq quero desejar-te o Amor universal, não o meu ou o seu pequeno amor, carregado de julgamentos e mesquinhes. Quero para ti a plenitude na Solidão, a alegria da comtemplação do Belo na Dor, a superação sobretudo.
Recebido de alguém que amamos muito.